A nostalgia talvez seja a única tendência que nunca sai de moda

Há dias vi este vídeo do Wolfsburg a anunciar o regresso do antigo emblema.

 Em 2002, o Wolfsburg trocou o seu emblema histórico por uma versão mais simples e minimalista. A mudança nunca foi verdadeiramente aceite pelos adeptos. Durante mais de vinte anos, o símbolo antigo continuou a aparecer em bandeiras, cachecóis e merchandising. Nunca desapareceu realmente.  

Este ano, no 80.º aniversário do clube, a direção decidiu recuperá-lo. O vídeo da apresentação diz tudo. Um estádio inteiro a aplaudir e a emocionar-se com o regresso de um logótipo.  

Vivemos numa altura em que as tendências mudam constantemente, as marcas procuram parecer cada vez mais atuais e modernas. Ainda assim, continuamos a olhar para trás. E não é um fenómeno exclusivo do desporto. Vê-se isso na moda, na música, nos remakes de filmes/jogos, nas máquinas fotográficas analógicas. Quanto mais depressa caminhamos para o futuro, maior é a vontade de revisitar o passado.

O caso do Wolfsburg fez-me pensar precisamente nisso. É curioso que muitos emblemas antigos sejam, objetivamente, menos equilibrados e menos versáteis do que os atuais. Ainda assim, continuam a ocupar um lugar especial na memória dos adeptos. Não pela qualidade do desenho, mas por tudo o que representam. Passamos muito tempo a discutir formas, tipografias, cores e tendências, mas esquecemo-nos de que o verdadeiro valor de um símbolo raramente nasce no momento em que é desenhado.

A nostalgia nunca foi uma tendência estética. É uma ligação emocional. E talvez seja por isso que nunca sai de moda. Porque, no fundo, não sentimos falta de um emblema, de uma camisola retro ou de um disco de vinil antigo. Sentimos falta daquilo que eles nos fazem recordar.